quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

" A Última Fase"

in memoriam José Julio

Olhos Fechados,
mãos quietas,
cabeça deitada,
coração com setas...

Fogo que não o queima,
água que o aguente,
o céu que o guarde,
em paz e para sempre...

Um anjo que o leva,
um anjo que o volte a trazer,
que cada bocado de terra,
sejam martelos a deixar de bater.

Foi apenas num mês,
só quem viu é que sabe.
Como para ele chegou,
a ultima fase.

04/05/2009

Coração

Coração que estás em silêncio,
coração que estás a chorar,
ouve estas palavras
e dá me as lágrimas para eu limpar.

Coração que estás sozinho,
coração que estás abandonado,
abre-te, fala comigo!!!
Torna-te um coração amado.

Coração apaixonado,
feliz coração alegre.
Ter um coração assim
pouca gente o consegue.

14/02/2009

"O Meu Retrato" - Erica Matos vs Pedro Guerra

Corrói-te os olhos a tristeza,
pequena fera domesticada,
por uma sociedade mal amada.

Cerra-te os lábios a censura,
em frases ditas e reditas
por rimas de pobreza.
Vão disfarçadamente transcritas,
más imitações de inteligência.
Novos filósofos do tempo moderno,
da obrigatoriedade moral de pensamento.
Que é feito do sentimento?

Tapo os ouvidos por minha vontade,
chega de teorias e de falsidades,
no fundo o que todos queremos
é umas gotas de verdade.

                  VS

Encontro-me nas tuas palavras,
longe de um bilhete de identidade errático,
fiscalizas as minhas mágoas
e descobres que não sou matemático.

Simples ouvinte eu sou,
nessa sociedade mal amada,
sou um mineiro de sentimentos que se reformou,
por nesta curta vida não ter encontrado nada...

13/02/2009

Recordação

A lembrança de um beijo.
A lembrança de um olhar.
A lembrança de um sorriso,
é a receita para recordar.

Uma pitada de carinho,
mais um bocado de atenção,
aquece-se um bocadinho,
para uma boa recordação.

Mas cuidado com os ingredientes,
não se dê tanta confiança,
quando algum é em excesso,
estraga-se a lembrança.

E agora o que fazer?
Aonde a vou colocar?
A receita voltarei a ler,
para mais tarde recordar.

22/01/2009

Fases

Olhos Molhados,
mãos dormentes,
cabeça pesada,
coração ardente.

Fogo que queima,
água que o apaga,
teimoso que teima,
em espalhar a praga.

Pássaro que voa,
caçador que o apanha,
voz que ecoa,
campeão que não ganha.

A lua tem quatro,
e tu até sabes,
a força que tens,
tudo isto são fases.

24/10/2008

Águas que partiram

As minhas fontes já secaram,
em tão pequena vida,
tantas lágrimas que derramaram,
em cada despedida...
e assim acabaram
as tépidas águas vivas.

A secura é tão grande,
que nem o fogo queima o mato,
o vento não mexe a folha,
o gelo não gela a água,
a caneta não faz o retrato,
desta fria e dura mágoa.

24/10/2008

A Escada da Vida

É tão grande esta subida
pela escada sem corrimão,
tem cuidado não tropeces,
para não dares um trambolhão.

Se a escada for de madeira,
muito terás que lutar...
Arranja sempre uma maneira
de a subida não parar.

Se a escada for de betão,
terás uma dificil subida.
Depois não uses o coração,
para tapar alguma ferida.

Se a escada for de metal,
terás de ter algumas precauções.
Se a deixas enferrujar
cais da escada aos trambolhões.

Para uma subida descansada,
ouve bem este recado.
Cada degrau da tua escada
tem sempre um significado.

Quando acabares a subida,
tens a tarefa terminada.
Olha bem para os degraus
e para essa altura atribulada.

Quando então chegares ao topo,
olha para baixo e vê o que sofreste.
Acabou a escada da vida.
Enfim, desapareceste.

23/07/2008 - Monção